quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Produção de palmito pupunha foi aposta que deu certo

O palmito pupunha chegou ao Paraná há apenas seis anos e, neste período, já conquistou o mercado. Vieram 1.200 mudas em 1994, que até 2006 se multiplicaram por mais de 995 hectares de plantação, compondo 5.739.500 mil pés. Atualmente, 817 produtores cultivam a palmeira pupunheira no Litoral e na região do Vale do Ribeira.

Somando a plantação do palmito juçara com a colheita da palmeira real e da pupunheira, em 2008 foram contabilizados três mil hectares de plantação de palmito no Paraná, com 30 milhões de pés e 1.100 produtores atuantes. No País, que é o maior produtor e consumidor de palmito, o Paraná alcança o quarto lugar no ranking de produção, ficando atrás apenas da Bahia, São Paulo e Espírito Santo.

Quem trouxe as primeiras mudas para o Estado foi o engenheiro agrônomo Cirino Corrêa Júnior, coordenador estadual de plantas potenciais, medicinais e aromáticas do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater). "Quando voltei do mestrado em São Paulo, já se trabalhava com a pupunha naquela região. Negociei com a Universidade Federal do Paraná e trouxe as mudas para serem plantadas em cinco unidades distribuídas no litoral, na Ribeira e no Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR)", conta.

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A pupunha surgiu como uma alternativa ao juçara, que começava a se tornar raro e teve a plantação controlada pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP). "A agressão era forte com relação ao juçara. O IAP assinou um acordo definindo que quando houvesse plantação, seria elaborado um laudo e uma comunicação ao órgão sobre a plantação. Depois de cinco anos, o produtor poderia solicitar o corte para colheita, para que as áreas de reserva natural fossem mantidas", explica o engenheiro.

Diferenças

Ao contrário da pupunha, originária da Amazônia, a juçara veio da Mata Atlântica, e a palmeira real da Austrália. Enquanto a pupunha pode ser colhida entre 18 e 24 meses de plantação, o palmito real demora pelo menos quatro anos para se desenvolver, e o juçara só pode ser colhido após o sexto ano de plantação.

Outros benefícios da plantação da pupunha são o controle da erosão e a melhoria da umidade do solo. É uma alternativa para a agricultura familiar, de fácil manejo, rentável e pouco suscetível a pragas e doenças. "A pupunha perfilha, planta-se uma só vez e colhe-se por muito tempo. Tem lavouras de mais de 20 anos ainda colhendo. No caso do palmito juçara e do real, a planta morre com a colheita", pontua o engenheiro.

A recomendação é que a plantação de palmito seja feita em linha e na primavera. No Paraná, as palmeiras se desenvolvem apenas no litoral e na região norte/noroeste irrigada. "Nas outras regiões a geada e o déficit hídrico matam as mudas. As palmeiras são muito suscetíveis ao frio", revela Cirino. A Emater publicou três livros sobre a plantação de palmito no Estado, e orienta produtores que tenham interesse em iniciar o cultivo.

Produção

Quando percebeu que os vidros de pupunha em conserva não paravam nas prateleiras do seu comércio em Paranaguá, Haroldo Paula da Silva Filho decidiu plantar. Atualmente ele administra 15 mil pés de palmeira pupunheira, que estão produzindo há seis anos. Dos três alqueires da chácara, que fica no Rio Sagrado, em Morretes, dois estão repletos de pupunha. "Eu tinha uma propriedade antiga e falei com um rapaz para melhorar o terreno. Pensava em plantar maracujá, mas ele me falou que seria difícil de cuidar e que a plantação de pupunha exigiria menos mão de obra", conta.

Em alguns meses, ele fechou contrato com uma fábrica que colhe na plantação dele e industrializa de 12 a 15 mil palmitos por ano. "Recebemos a produção. O preço já esteve melhor, mas mesmo que o preço não seja atraente acaba dando resultado por que as pupunheiras produzem bem. Para mim, virou um complemento de renda", explica. Depois dos primeiros anos, ele passou a comprar da fábrica o próprio palmito já industrializado, para colocar nas prateleiras da loja de Paranaguá. A pupunha em conserva compõe as saladas da família do produtor, e tradicionalmente o produto in natura é refogado da mesma maneira que é feito o arroz.

Outra alternativa que Haroldo tem é a venda do palmito para o comércio local. Enquanto a fábrica paga R$ 2 por cada palmito, o comércio paga R$ 3 e com mais rapidez. "A fábrica entrega o valor da produção em 30 ou 60 dias, o comércio local valoriza mais. Ao invés de pegar os quatro mil palmitos de cada corte, eles pedem 500 por semana", afirma.
Ainda que o pupunha seja mais barato, a procura pelo juçara também é alta. Haroldo mantém oito mil pés desta variedade e pretende chegar a 20 mil. "Estou regularizando a colheita com o IAP. Uma parte quero só manter na propriedade, por que acho a palmeira juçara muito bonita. Atrai muitos animais, muitos pássaros", revela.

Fonte: Paraná On-line

2 comentários:

Paulo Chaimsohn disse...

Retificando a informação: A pesquisadora aposentada do IAPAR, Nancy Morsbach, iniciou as introduções da pupunha no Litoral do Paraná e em outras regiões do Estado (Ribeira, Oeste e Noroeste) desde 1984. Nós instalamos os primeiros ensaios no Litoral do Paraná em 1996. Portanto, a informação não está completa.

Blog da Chácara Santa Clara disse...

Mas ainda na última década do século passado a "gasipaes" foi introduzida no Norte Pioneiro do Paraná (município de Cambará)com uma platação expressiva e main tarde, em 2004/2005, foi iniciado cultivo de 4 hectares na Chácara Santa Clara, município de Santo Antônio da Platina, também no Norte Pioneiro do Paraná.

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