terça-feira, 1 de setembro de 2009

Pupunha redefine cultivo de palmito

O mercado do palmito toma fôlego para superar três décadas de crise e incertezas. A produção – até os anos 70 baseada na extração do juçara em meio à Mata Atlântica, atividade hoje ilegal – caiu mesmo com a adoção de variedades cultivadas. O declínio tem razões técnicas. O palmito real, o mais plantado no país, leva três anos para chegar ao ponto de corte – bem menos que os dez anos necessários ao juçara, porém com um custo que afasta o consumidor, tanto aqui como lá fora.

Praticamente ninguém se aventura a cultivar juçara (só o comprovadamente plantado pode ser legalmente vendido) e poucos se animam a dedicar tempo e dinheiro ao plantio do real, que rende apenas um corte. Não é à toa que as exportações se limitaram a 2,8 mil toneladas em 2007, um quarto da marca atingida em 1977.

A inversão desse quadro, no entanto, está a caminho. É o que mostra o projeto Pupunha da Embrapa Florestas, de Colombo. A palmeira é original da Amazônia e rende palmito de boa qualidade na Serra do Mar do Paraná e Santa Catarina.

O palmito pupunha não precisa ser cultivado no meio da floresta como o juçara. Pode compor palmiteiros em áreas hoje destinadas a culturas menos rentáveis (banana e mandioca) ou em terras ociosas. A variedade rende o primeiro corte em apenas um ano e meio.

Outra vantagem – talvez a principal delas – é que a árvore perfilha, como uma bananeira. Ou seja, a palmeira não morre após a retirada do palmito. Os caules crescem suscessivamente por cerca de duas décadas. Depois da primeira colheita, é possível realizar um corte por mês, principalmente durante o verão.

Isso tudo anuncia mudanças que começam a chegar à mesa do consumidor, afirma o coordenador do projeto, o pesquisador da Embrapa Florestas Álvaro Figueredo. "Além das vantagens no cultivo, o palmito pupunha não sofre oxidação como os demais. Ou seja, pode ser vendido in natura, como já acontece em supermercados de Curitiba." O produto pode ser encontrado também no Mercado Municipal.

A transferência de tecnologia para o produtor vem ocorrendo há cinco anos, conta o pesquisador da Emater Sebastião Bellettini. "Temos, no litoral do Paraná, 150 produtores. Eles cultivam 2,3 milhões de plantas e colhem cerca de 1 milhão de peças por ano." Cada peça rende cerca de 1 quilo, ou três vidros de conserva. "Temos potencial para cultivar 15 milhões de pés de pupunha", avalia. Isso significa que é possível produzir 19 milhões de vidros ao ano só com a nova variedade, volume 650% maior que o atual.

No litoral do Paraná, existem 11 indústrias de pequeno e médio porte. Segundo o setor, falta matéria-prima. A situação deve se equilibrar quando os produtores que hoje se dedicam a outras variedades passarem a cultivar pupunha. Ao todo, perto de 500 pequenos produtores rurais plantam palmito no litoral, em áreas de aproximadamente dois hectares.

Outra vantagem do pupunha é a redução da pressão do consumo, que leva à extração ilegal do palmito juçara, avalia o pesquisador da Embrapa Florestas Ednelson Neves. "Com mais oferta de produto legalizado, essa prática vai diminuir, com certeza."

Ele explica que, como a espécie é exótica, pode ser cultivada, industrializada e transportada mais livremente. O juçara, como é nativo, precisa estar documentado para não ser apreendido, mesmo quando se trata de uma plantação registrada. Qualquer carga sem comprovante de origem é considerada ilegal.

O turista que passa por alguma chácara de palmito e resolve levar para casa pupunha in natura não deve enfrentar problemas caso seja barrado pela fiscalização. Isso porque as características da peça são bem distintas das apresentadas pelo juçara. "A fiscalização distingue facilmente", diz Neves.

Fonte: Gazeta do Povo

2 comentários:

Ragna disse...

Goataria de saber mais sobre o assunto.A minha região é de clima temperado e minha propriedade está acima de 850m do nível do mar.

msecco disse...

Olá Ragna,

No estado de São Paulo as plantações de pupunha se concentram no Vale do Ribeira, conforme mostra o mapa de distribuição de plantadores de palmito pupunha (http://www.cati.sp.gov.br/projetolupa/mapaculturas/pdf/Pupunha.pdf). Existem vários plantadores com sucesso, mas o que irá determinar isso é o índice pluviométrico da região. Quanto mais chuva, melhor. Em muitos situações, há necessidade de irrigação.
Se você pretende iniciar o cultivo do mesmo, sugiro que dê uma olhada nesta documentação (http://www.ceplac.gov.br/radar/CULTIVO%20DA%20PUPUNHEIRA.pdf). É bastante completa para quem quer conhecer um pouco mais a respeito.
Outra sugestão é que seja feita uma análise do solo para saber se há necessidade de correção do mesmo.
Qualquer coisa que puder te ajuda, não hesite em me procurar. Abraços.

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