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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Caça ao palmito juçara ameaça reservas de Mata Atlântica

Em busca do palmito da palmeira juçara, quadrilhas de palmiteiros estão invadindo os parques estaduais Carlos Botelho, Intervales, Jurupará e do Alto Ribeira, as reservas de Mata Atlântica mais protegidas do Estado de São Paulo.
Além de cortar a palmeira, importante para a biodiversidade da floresta, eles abrem trilhas usadas por caçadores. Os próprios palmiteiros abatem para consumo espécimes de uma fauna fortemente ameaçada de extinção, que inclui animais como a anta e o mono-carvoeiro, e aves como o macuco e a jacutinga.

A Mata Atlântica é um dos biomas mais ameaçados do País. São Paulo detém a maior porção contínua dessa floresta, com 200 mil hectares, quase tudo no interior dos parques estaduais do Vale do Ribeira, sul do Estado. De janeiro a agosto deste ano, a 3ª Companhia de Policiamento Ambiental, com sede em Sorocaba, apreendeu 4.719 toras de palmito in natura ou pronto para o consumo.

Cada unidade corresponde a uma palmeira cortada. De acordo com o comandante, tenente Edson Moraes, mais de 90% foram extraídos dos parques estaduais, por uma razão simples: fora das reservas, a palmeira juçara está praticamente extinta.

Ele calcula que o material apreendido representa uma parcela mínima do que foi cortado. De acordo com o tenente, o total de apreensões este ano será maior que no ano passado.“É uma atividade que se mantém, apesar do aumento na fiscalização e no grau de dificuldade para encontrar o palmito.”

A extração indiscriminada levou à escassez da palmeira e os palmiteiros têm de caminhar dois dias no interior da mata para chegar ao local do corte. “O grupo entra na mata na segunda-feira e sai na quarta ou na quinta”, explica. O transporte das toras, mesmo com o auxílio de mulas, é um serviço extenuante. Os palmiteiros levam a carga para processar fora do parque, onde a legislação é menos rigorosa.

Em fábricas improvisadas, o palmito é cortado, colocado em vidros e cozido. “Fechamos fábricas que funcionavam em banheiros”, diz Moraes. O produto é vendido para restaurantes, pizzarias e churrascarias. Cada feixe com cinco ou seis toras rende 10 kg de palmito que, no Vale, é vendido por R$ 10 o kg.

Em São Paulo, o produto chega custando R$ 25. A condição socioeconômica precária dos moradores da região favorece o esquema, segundo o policial. “A alternativa para eles seria trabalhar na lavoura de banana, ganhando R$ 10 por dia.”

No que resta dos acampamentos, a polícia tem encontrado restos de animais e aves abatidos para consumo. Na maior parte das apreensões, o palmito foi interceptado em rodovias, no transporte para São Paulo.

Fonte: Estadão

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Palmito

Não sei se o problema é o que as as faculdades estão ensinando por aí ou se são os alunos que andam muito dispersos e entendem tudo errado. Outro dia uma estagiária ficou revoltada ao ter que preparar uma salada com palmito pupunha fresco. Disse que aquilo mataria os clientes do restaurante! Se fosse assim eu deveria estar bem morta, afinal como palmito cru desde pequena. O único mal estar que isso me provocou foi descobrir, anos mais tarde, que aquele palmito que eu comia quando criança se chama Juçara e que sua extração destrói a natureza.
Explorado intensamente a partir da década de 70, o palmito Juçara encontra-se hoje sob o risco de extinção. A exploração predatória tem avançado no país e quase todo o palmito Juçara comercializado e exportado pelo Brasil atualmente é ilegal.
O corte ilegal é feito geralmente dentro das Unidades de Conservação (Parques Estaduais, Nacionais, Estações Ecológicas). Os palmiteiros são contratados em regiões pobres, como as cidades do Vale do Ribeira, sul de São Paulo, região de Guaraqueçaba e litoral paranaense. À noite eles entram na mata, cortam e carregam feixes de até 50 palmitos. Cada feixe representa uma árvore morta que precisou de mais de 10 anos para crescer. Um palmiteiro pode cortar até 200 palmeiras por dia! Para piorar essas pessoas ainda abrem trilhas devastando a vegetação, abatem animais silvestres e cortam arvores de palmito muito pequenas, impedindo assim a regeneração natural das florestas. Sabemos que as consequências são graves pois sem a Juçara muitos animais podem desaparecer, pois várias espécies de aves e mamíferos dependem dos frutos do palmito para sobreviver. Em alguns locais onde o palmito foi dizimado já podemos notar a ausência da fauna.
Atualmente existe uma guerra entre os palmiteiros e os guardas-parques em todo o Brasil. Os palmiteiros estão fortemente armados e mobilizados para extrair todo palmito possível da Mata Atlântica. Alguns guardas já foram mortos. O corte do palmito está se tornando tão organizado quanto o tráfico de drogas. Sabemos hoje que os palmiteiros possuem rádios, armas e transporte mais eficientes que os guardas.
Como se a ilegalidade e a destruição da natureza não bastasse, saiba que consumir esses palmitos também pode colocar sua saúde em risco: você pode contrair botulismo e até morrer. Para fazer o palmito em conserva os palmitos são cortados dentro da mata e cozidos na hora sob péssimas condições de higiene. Depois os palmitos são envazados e transportados para fábricas clandestinas onde recebem vidros e rótulos falsificados. Algumas marcas possuem nomes "ecológicos" para iludir o consumidor.
Praticamente todo palmito, com exceção da pupunha, que chega à sua mesa vêm da extração predatória na natureza. Então sugiro que comamos apenas palmito pupunha, que é uma delícia e não faz mal nenhum à saúde, à consciência ou à natureza, tanto cozido como cru. Essas sim, são informações que nossos universitários deveriam saber.

Fonte: Chef Paula

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Corte ilegal do palmito Juçara segue a todo o vapor na Serra do Mar

CURITIBA - A derrubada ilegal do palmito Juçara está "a todo vapor" na região da Serra do Mar do Paraná, enquanto policiais da Força Verde reforçam o efetivo nas praias e dirigentes políticos discutem em Curitiba nesta semana o futuro do Meio Ambiente durante na 2.ª Reunião sobre Cidades e Biodiversidade. Em novembro passado, foi desmantelada uma quadrilha ligada ao ex-prefeito de Guaratuba José Ananias dos Santos.

Em apenas duas noites (28 e 29 de dezembro do ano passado), por exemplo, um grupo de palmiteiros derrubou cerca de 1,2 mil árvores nativas do palmito-juçara, espécie ameaçada de extinção, em uma chácara na localidade de Caste­lhano, em São José dos Pinhais. O local fica encravado na Serra do Mar, perto da divisa com Garuva e Guaratuba, na área do futuro Parque Nacional do Guaricana.

O funcionário da chácara roubada, Antônio de Jesus Lambergue, conta que os palmiteiros agem tão à vontade que derrubaram árvores a cerca de 250 metros de uma casa.

- Nunca havia acontecido uma coisa assim, tão abusada.

O proprietário da chácara, Manfred Schmid, diz que planta palmito na propriedade e há dois anos aguarda a liberação de corte. Antes de conseguir, os palmiteiros derrubaram até o palmito nativo.

O delegado da Polícia Federal em Paranaguá, Michael de Assis Fagundes, revela que novas quadrilhas de palmiteiros vêm atuando depois da Operação Juçara, que prendeu 18 pessoas.

O superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Paraná, José Álvaro Carneiro, diz que existem até 20 grupos de "empreiteiros" de palmito. Eles são contratados para cortar o produto em áreas privadas e públicas e entregar os feixes de até 12 unidades em fábricas clandestinas. Carneiro lembra que o sustento dessas quadrilhas vem do consumidor, que compra o palmito ilegal.

Fonte: O Globo